sábado, 7 de março de 2009

Sempre "A Besta Humana"

"Foi ao canto da palha buscar a forquilha e pegou-lhe pelos bicos, afastando a Ronda que ficara mais perto da Estrelinha. Esta, inquieta, dava com os joelhos na manjedoura e nitria, num arremesso de raiva; adivinhara que o estribeiro a ia espancar (...). Velhaca e rebolona, a égua deitou-se na palha da cama; os olhos zarcos... pareciam rebentar nas órbitas espantadas de pavor ... O estribeiro tocou-lhe a barriga com os garfos da forquilha para obrigá-la a erguer-se ... égua ..., encolheu-se ainda numa contracção de receio; mas logo num impulso, que Bago de Milho não foi capaz de compreender, pôs-se de pé e girou sobre si, atirando-lhe ao peito as duas patas traseiras... A Estrelinha, trémula com receio que ele a espancasse, foi logo procurá-lo com os dentes e mordeu-o com raiva ... O Farol gemeu e nem levantou a cabeça para ver o amigo. Talvez porque era um alazão velho, e sabia bem o que sucede a um homem quando um cavalo o odeia e o tem debaixo das patas", in " A Barca Dos Sete Lemes", Alves Redol

Há dias em Paris um cavalo da Guarda de Honra de Sarkosy, fugiu a galope só sendo capturado junto à Câmara de Paris...

João Lopes, escreveu: " Oprah Winfrey, dedicou um dos seus programas à tragédia dos cães e dos gatos abandonados, e sobretudo ao meritório trabalho dos asilos que os recolhem, procurando colocá-los em lares onde sejam bem recebidos (...). Bem sabemos que os dramas sociais estão longe de se esgotar neste problema, mas o modo como é formulado, acaba por ser um significativo índice de civilização. Oprah deu uma serena lição de pedagogia social, sem demagogia, nem miserabilismo, com rigor raro nos talk shows.

Por cá, as TVS copiam-se umas às outras alternando-se em falta de qualidade.
Os temas repetem-se à exaustão. Não se arrisca, teme-se o ridículo que só seria por
impreparação; há anos na SIC, num programa dirigido por Júlia Pinheiro, isto esteve à vista, num exercício de mau gosto, com tempos desiguais de antena, em que quase deliberadamente se não deu a palavra e se deixou achincalhar Margarida Namora, então presidente da União Zoófila.
Pura perda de tempo e sobretudo de esperança, que então ali se depositou.

Hoje neste Portugal afundado em corrupção, parece que o tema “animais”, é tabu.
É um país sem Tomates!

segunda-feira, 2 de março de 2009

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sábado, 28 de fevereiro de 2009

A Origem do Mundo - Gustave Courbet


Tem dado celeuma.
Confesso a minha ignorância, não sabia da sua existência.
Uma tia minha, idosa de 96, dizia à boca pequena "a boca do mundo". Há, havia alguma incomodidade. Nunca se sabe muito bem como chamar-lhe.
Curiosa com a celeuma, fui procurar a Obra. A reacção terá sido tão lamentável, eventualmente semelhante a todos aqueles que com ela se deparam ao longo do tempo. Uma miscelânea de sensações que não descreverei, porque qualquer adulto tê-las-á. Depois a impressão magnifica de uma Obra primorosamente executada. Dizem que foi através de uma fotografia, foi a primeira impressão que tive; mas o que está retratado é lindo, não cansa, não esgota a curiosidade, é intrigante, é palpável, talvez seja essa a maior incomodidade..., não sei!
Perante tal mistério, pergunto-me: com tanta internet, com tanto hardcore, com tantas feiras de sexo ao vivo, com tanta merda que anda por aí à mão de quem quiser, porque é que esta Obra incomodará tanto? Talvez pela intimidade que deixa transparecer, talvez pelo abandono, talvez por ser tão ingenuamente e verdadeiramente estimulante, não sei! Sei que é lindo de morrer.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

em jeito de balanço,

disse-me:" sempre a achei enigmática"

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

recordar o passado algures em Lisboa

Hoje um colega do tipo simpático, tem dias, fez-me um elogio e sendo básico, acrescentou que terá contribuído para a minha auto estima. Respondi que seria muita pretensão sua pensar que teria alguma influência. Tudo isto com uma ponta de ironia simpática. Depois cruzei-me com uma colega pela qual tenho empatia e sinto o mesmo da sua parte. Disse-me com um ar entre o simpático e o confessional que estava gira. Agradeci, desta vez mesmo agradecida, e agora sim contribuiu para o meu ego. Esperava-me um "recordar o passado, algures em Lisboa". Estava confiante. Foram muitos os vultos com que me cruzei, já lá vão tantos anos. Uns conheceram-me outros não. Um tratou- me carinhosamente por um diminutivo, outro disse-me que apesar de terem passado muitos anos, estou na mesma, na essência, e ferrou-me não sei quantos amistosos beijos como se me tivesse visto na véspera e recordou com o mesmo à vontade, a memória fresca e divertida, o que nos divertimos em Itália com o meu italiano descaradamente e descomplexadamente mal falado, com timbre siciliano a abrir portas. Outro que não encontrei, enviou-me "cumprimentos com saudades e há anos que não nos vemos, aceita almoçar amanhã comigo?" Passado um bocado ao telefone já nos ríamos como nos velhos tempos.
Gostei de me sentir mimada. Talvez todas estas recordações e a presença, como se os anos não contassem tenha a ver com muito riso, um riso saudável daqueles de que se sente de facto saudade. Um dia destes ouvi em alguém à beira da ruptura que tinha saudades de rir, de dar uma boa gargalhada. e eu que o conheço desde sempre percebi o porquê.

Apesar do trânsito, gostei do fim da tarde em Lisboa.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

estímulo ou inspiração literária

«Olá, sou a Marusha», in "O Sonho mais doce", Doris Lessing, p. 418

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009