sexta-feira, 7 de março de 2008

o carteiro toca sempre várias vezes



Ouvi parte da entrevista de Maria de Lurdes Rodrigues a Judite de Sousa. Fiquei sem opinião perante um ser tão imperturbável, mas com as maiores suspeitas, de tão impassível e sem rugas. Suspeito sempre de gente sem rugas.
Quanto a professores a serem avaliados por professores idóneos, porque é o tempo que os faz, ao contrário da canção ".../o amor não é o tempo que o faz", percebo a apreensão dos professores. Está aí a vindicta.
Terá sido eventualmente nos primeiros anos do liceu, o tema da redacção era "O carteiro", não sei quantas linhas. Devo ter sofrido, porque nunca mais me esqueci de um tema tão "ai que bem escolhido!". Se fosse hoje, haveria vários carteiros, o de Pablo Neruda, o que toca sempre duas vezes, ou o que toca várias vezes: ser mínimo e explorado, enfiado numa pequena caixinha e sem horários; os envelopes que entrega são sempre amarelos, e há os recebidos, na caixa de entradas, e os enviados e outras modalidades que se me escapam. Agora há um facto indesmentivel: toca sempre várias vezes e com diferentes tons e os envelopes não têm selos.

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