terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Que força é essa amigo...

Viu-o pela primeira vez, talvez há um mês e meio. Estava parado ao lado de uma atravancada esplanada de um reputado Café que criou fama e se deitou a dormir. Chamou-me a atenção pela elegância discreta e porque há muito tempo não via um homem interessante. Para comprar o jornal no Kiosque tive de passar por ele. Entre dentes sussurrou: “uma moeda”.
Depois disso fui-o vendo, apesar do ar digno, a degradação vai-se acentuando a cada dia que passa. Moedas reunidas, mete o turbo em direcção ao Casal Ventoso. Regressa vencido.
Ontem ao fim da tarde vi-o na Almirante Reis, ajoelhado sobre um cartão, a pele tisnada, típica de quem anda na droga, os olhos fechados possivelmente com pedrada ou com vergonha pela indignidade.
Perturbou-me. De repente num ímpeto voltei atrás para lhe perguntar “que força é essa amigo”, já lá não estava. Foi tudo tão rápido. Hoje não o vi.
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