terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

ainda e sempre as pessoas - míopia

Míope desde a nascença ou desde tenra idade não sei! Vaidosa desde sempre. Óculos só muito tarde e raramente. O Liceu praticamente sem óculos; enorme distância para o quadro. Por opção físico-química e matemática no antigo 7.º ano do liceu. Toda a "visão" era por dedução, intuição, por milagre dirão outros, e eu também.
A par de tudo isto fui acrescentando "sentidos". A observação por impressões talvez imperceptíveis para a maioria é, foi uma arma preciosa. Um ouvido de cão, umas "antenas" de lagosta, um olfacto alarmante, uma sensibilidade sempre atenta aliada a um treino incansável, uma intuição quase infalível, foram e são hoje e desde sempre, aliados há muito tempo de lentes de contacto. Isto para dizer que o risco, é pelo gosto de correr riscos, é como correr contra o vento, é para ver se me surpreendo, sobretudo se me surpreendem, é em suma uma provocação.
Constato que muitas pessoas se sentem como devassadas pelo meu olhar, o que me tem granjeado algumas antipatias, assim como se fossem vidas já vividas. E não há nada a fazer, eu sinto o incómodo dos outros, embora tente e faça tudo, para que o meu olhar não seja incómodo, insisto mesmo para que seja neutro.
No ginásio reencontrei a pequena ladra de ténis, e quase que me senti culpada ao observá-la. Ambas sabemo-lo, sem uma palavra. Fi-lo sem rancor, com algum prurido até, porque feia, estava numa nudez despudorada: um peito grande e feio, o ventre dobrado com o peso a cair sobre um púbis pouco edificante, embora este não seja o melhor termo. Mas a "devassa", não porque estivesse despida. Hoje, sentada à minha frente alguém que vejo quotidianamente, sentiu o mesmo, talvez porque tento perceber ao que a sua voz, não a sua maneira de falar me poderá conduzir.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

ainda e sempre os cães




Talvez a grande sinistralidade das nossas estradas tenha a ver com a falta de ética; uns dizem que é o resultado da nossa falta de civismo. É tudo junto! Quando estamos por nossa conta na generalidade, somos sempre o nosso pior, e o nosso pior é uma falta de generosidade intrínseca.
Comecei por resistir, mas dou apoio pontual a um cão que não sendo de ninguém, tem de ser agradecido aos que "generosamente" o apoiam. Hoje chegaram duas ao mesmo tempo, a outra e eu. E eis o cão perante um dilema. Dirigiu-se tão ligeiro quanto a sua perna dianteira manca lhe permitiu, cheirado o repasto voltou para trás e optou pelo meu, servido condignamente, de forma asseada e em material reciclável, porque também gosto do ambiente. O repasto cumprido, a caixa no lixo. Não sobrou um grão de arroz, nem um vestigio de sujidade.
Depois constatei, revoltada a falta de respeito pelos pobres: a outra comida com ossos de galinha vazada na terra.
É por causa destas boas almas que apesar de já ter tentado pertencer a associações e quejandos, acabo sempre por desistir. Se há coisa com que não consigo pactuar, é com falta de respeito e tendo aprendido que a ética não se ensina, já desisti, mas que mete nojo, mete!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

em jeito de homenagem, com um sorriso nos lábios

porque perdi a chave, a prova provada de que não consegui fazer bem feito :)

http://apice-baptista.blogspot.com/

Mário Soares e os pitbull



Mário Soares receou que o 25 de Novembro, tornasse Portugal semelhante a um qualquer país da América Latina.
Foi num país da América Latina que vi o que se passa em Portugal, ou melhor dizendo, semelhante ao que se passa em Portugal , só na dita AL: animais errantes, cadelas perseguidas por matilhas e outras urbanidades no meio do desmazelo, da promiscuidade, sendo a promiscuidade um todo.
Foi em Cuba, mais precisamente em Havana impregnada de um cheiro fétido, onde tudo falta, desde as infra-estruturas, ao que há de mais elementar, que vi pelo menos duas raças de cães que não sendo autóctones, só podem /podiam ser importados: bulldogs e pitbull. Basta dois dedos de testa para se saber o porquê. Basta perguntar assim de chofre ao guia se as apostas são permitidas? Para ter como resposta que não, mas que o combate ás apostas com lutas de cães é difícil.
Lá como cá, a não proibição leva a uma série de abusos e ainda a procissão vai no largo. Cães não autóctones, abandonados à sua sorte, à sua má sorte, são potenciais armas de morte. Pena é que sejam eles as vitimas da incúria de um país, instrumento de um qualquer dono; pena é que em vez de serem aprisionados em canis em quarentena, e depois abatidos, não sejam os seus nefastos proprietários acusados de crime e esses sim pagarem os que lhes compete, nomeadamente com a liberdade.
Se isto é Europa, eu vou ali e já venho.



http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/2d03a4e3b4eeee4569396b.html

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

une chanson ancienne


Au clair de la lune mon ami Pierrot
Au clair de la lune, Mon ami Pierrot Prête moi ta plume Pour écrire un mot
Ma chandelle est morte Je n'ai plus de feu Ouvre-moi ta porte Pour l'amour de Dieu !
Au clair de la lune Pierrot répondit Je n'ai pas de plume, Je suis dans mon lit
Va chez la voisine Je crois qu'elle y est Car dans la cuisine On bat le briquet.
Au clair de la lune L'aimable Lubin Frappe chez la brune Ell' répond soudain
Qui frapp' de la sorte ? Il dit à son tour Ouvrez votre porte Pour le Dieu d'amour
Au clair de la lune On n'y voit qu'un peu On chercha la plume On chercha du feu
En cherchant d'la sorte Je n'sais c'qu'on trouva Mais j'sais que la porte Sur eux se ferma.

[des]arranjo musical


if i was a complicated woman

dabadabadaba...
but as i'm a descomlicated woman

dabadabadababada....

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

está a apagar-se a chama



Admito o que até há pouco tempo era inadmissível : estou a desinteressar-me da blogosfera

os homens do leme


Cavaco Silva, em Petra ria-se genuinamente, talvez por causa de uma vontade indómita, mas ferreamente dominada de montar o dromedário, temendo perder a credibilidade.
Tanto quanto me apercebi foi visitar as tropas portuguesas no Líbano e criar novas expectativas aos empresários portugueses, dando assim "novos mundos ao mundo", num espírito visionário sem paralelo que permitirá a este rectângulo `a beira mar plantado, esquivar-se às crises mundiais.
É enternecedor o espírito de abnegação e sacrifício daqueles que nos governam e que estão ao leme, independentemente da cor e do credo.
Enternece-me a recordação do desespero de Sampaio, Jorge, enquanto presidente da República, e a sua dúvida metódica, em dissolver ou não o parlamento, terminando assim com o governo então presidido por Santana Lopes, tal criança no berço a levar pancada de todos os lados, querendo por isso poupá-lo, acabando contudo por o dissolver uns escassos meses mais tarde, já tinham decorrido então os Jogos Olímpicos realizados na Grécia, de certeza num cenário a não perder em nenhuma circunstância, ... E não me falem em senso comum!
Ao ver hoje uma reportagem num canal de TV, como se fosse necessário para nos apercebermos como vive a grande maioria dos nossos concidadãos, não é de facto difícil perceber porque é que os homens do leme sempre que têm um pretexto para se pirar se piram. Lá diz o ditado "longe da vista, longe do coração", e veja-se António Guterres que na altura da retirada, disse que o país tinha problemas estruturais que era incapaz de resolver. Desde 2005 Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados. Não fosse o poiso, onde é, não sei que tipo de problemas teria?! A crise no Darfur?
E já agora Sócrates que deve estar equivocado, i.e, não deve saber que país governa, mostrando-se estupefacto com a manifestação dos profs à porta do partido Socialista, achando-a anti-democrática. Só mesmo p'ra rir!
Adeus Portugal cada vez a pior.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

vou levar-te comigo meu irmão, vou levar-te comigo

Moçambique: 9 feridos, Governo não confirma mortesOs confrontos que durante o dia de hoje se registaram em Maputo e arredores, motivados pela subida do preço dos transportes semi-colectivos de passageiros, saldaram-se em nove feridos, de acordo com o último balanço oficial.
às vezes o que parece pequenas coisas originam grandes revotas, não é o caso para quem se vê espoliado do já pouco que tem.
talvez tenhamos alguma coisa a apreender, por mais que não seja o direito à indignação.
talvez só quando a banca estiver em duas ou três mãos e o dinheiro de plástico seja só para alguns, talvez só aí nos apercebamos em que limiar estamos
e aí os 0,50€ façam a diferença.
aos moçambicanos desejo-lhes coragem, não têm nada a perder

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Uma comédia romântica


Diz o ditado "quem sai aos seus não degenera", uma das minhas funestas heranças. Não é por falta de leitores de vídeo que não vejo vídeos em casa. É por falta de jeito e também por falta de vontade.
Em tempos de arrumações, ordenam-se os vídeos, e surge a vontade, o computador ajuda é tudo tão mais prático. São vários os títulos, escolho um ao acaso, talvez por ser uma comédia romântica "Feliz Acaso". O filme começa, e parece que sob bons augúrios, baseado na obra "Amor em tempos de cólera", de Gabriel Garcia Marquez, livro que me marcou e que em si é uma das peças chave do filme. Recomendo.