Míope desde a nascença ou desde tenra idade não sei! Vaidosa desde sempre. Óculos só muito tarde e raramente. O Liceu praticamente sem óculos; enorme distância para o quadro. Por opção físico-química e matemática no antigo 7.º ano do liceu. Toda a "visão" era por dedução, intuição, por milagre dirão outros, e eu também.
A par de tudo isto fui acrescentando "sentidos". A observação por impressões talvez imperceptíveis para a maioria é, foi uma arma preciosa. Um ouvido de cão, umas "antenas" de lagosta, um olfacto alarmante, uma sensibilidade sempre atenta aliada a um treino incansável, uma intuição quase infalível, foram e são hoje e desde sempre, aliados há muito tempo de lentes de contacto. Isto para dizer que o risco, é pelo gosto de correr riscos, é como correr contra o vento, é para ver se me surpreendo, sobretudo se me surpreendem, é em suma uma provocação.
Constato que muitas pessoas se sentem como devassadas pelo meu olhar, o que me tem granjeado algumas antipatias, assim como se fossem vidas já vividas. E não há nada a fazer, eu sinto o incómodo dos outros, embora tente e faça tudo, para que o meu olhar não seja incómodo, insisto mesmo para que seja neutro.
No ginásio reencontrei a pequena ladra de ténis, e quase que me senti culpada ao observá-la. Ambas sabemo-lo, sem uma palavra. Fi-lo sem rancor, com algum prurido até, porque feia, estava numa nudez despudorada: um peito grande e feio, o ventre dobrado com o peso a cair sobre um púbis pouco edificante, embora este não seja o melhor termo. Mas a "devassa", não porque estivesse despida. Hoje, sentada à minha frente alguém que vejo quotidianamente, sentiu o mesmo, talvez porque tento perceber ao que a sua voz, não a sua maneira de falar me poderá conduzir.
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1 comentário:
gostei de ler
voltarei
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