domingo, 26 de outubro de 2008

que

interessam
os pontos cardeais
quando

dois seres se

cingem
no meio de um leito?

terça-feira, 21 de outubro de 2008

blogocídio

Iniciei-me na blogosfera com um blog chamado Barata Loira, que no 1.º spot anunciava a chegada de um meteorito. Teve vida curta. Seguiram-se outros. Imperou em cada um deles um ser emocional. Talvez esta tenha sido a grande revelação. Foram muitos, sucumbiram a fúrias. Mais tarde alguns, muito poucos reapareceram, tal era o sentimento que nutria, que não podia viver sem eles, apesar da relação amor/ódio que desencadeavam. Tenho especial lembrança de Rio de Pérolas de Cor Púrpura; a sua criação estava imbuída de romantismo. Fiz amigos, um ou dois. A amizade na minha vida é uma raridade, talvez porque autentica e com elevado grau de exigência. Na totalidade terei escrito centenas de spots. Engordei à conta disso. Desmazelei o habitat. Deixei de privar. Foi com eles que perdi o hábito de me deitar cedo e me tornei noctívaga. Sorri, sofri, esperei/desesperei, iludi-me, fraquejei, rastejei, ofendi, desisti, e aprendi e muito e sobretudo coisas boas. Ilustrei-me, dei asas à imaginação, à subversão, à ousadia, etc. Se tivesse de fazer um balanço, seria sobretudo positivo.
Raramente releio o que escrevo. O actual blog, mantive-o por respeito aos spots sobre cães que publiquei, como forma de me redimir dos outros que apaguei. Lembro-me de raros títulos de spots. Não guardei nada do que escrevi.
Mas há dois spots que lamento profundamente não ter guardado: "cão ruim", dedicado a uma amantíssima cadela que persegui durante quatro anos e a quem acabei por dar teto. Não há um dia em que não me lembre dela. O outro "no name river", sinteticamente uma história de amor.
Este mantenho-o como um escape emocional. Às vezes faz-me falta.

sábado, 18 de outubro de 2008

entardecer

Entardece. As nuvens estão uma mescla de cinzento e rosa encarniçado, no verão este tom costuma ser prenúncio de bom tempo. A tarde está silenciosa como eu, meia turva, a precisar de Sol.
Um desejo de evasão apoderou-se de mim desde manhã. Desejo de um destino longínquo e incógnito, em que nada perturbasse a minha massacrada sensibilidade. Só pode ser um sítio que não exista.
Cheguei aquele ponto de equilíbrio/desequilibro, construção/desconstrução, empatia//antipatia/simpatia: indiferença em suma, a roçar a irresponsabilidade sentida e consentida.
Como tudo na vida tem duas faces. Vamos dar tempo ao tempo, esse sábio!
Se lhe déssemos ouvidos, não seriam necessárias curas.
Olhando para trás pasmo como não escrever no blog, não ler blogs eleitos me deixavam ansiosa. Hoje é numa tentativa de recuperar um pouco de alma que estou aqui, sem nostalgia, sem curiosidade em ler o que escrevi para ver se me reconheço, se me recupero. Estou a perder a capacidade de me emocionar com o que quer que seja.
Confesso que num outro blog que criei a atitude é a mesma, apesar de me ter emocionado, envaidecido por um papel de destaque que me conferiram num outro de reconhecido mérito.
Ao escrever este post não contradigo o post anterior. Nem sequer sei se voltarei, e se voltar já não sou o que fui.



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