domingo, 16 de novembro de 2008

dois em um: um dia é da caça o outro do caçador

Na 5.ªfra um inesperado convite para jantar no sábado. Só no sábado por volta da hora do almoço posso confirmar se estarei disponível. Meia verdade, meia mentira. Tudo dependia de outros valores. Confirmado o jantar. À mesa de um restaurante in, em que tudo berrava, como se de uma tasca se tratasse, mostrou-me a brincar o TagHeuer que tinha colocado para me impressionar. Disse-lhe que não ligava a relógios e que não era o tipo de coisa que me impressionava. Dito talvez de uma forma que tenha deixado transparecer o tédio. Surgiu a pergunta:”então o que te entusiasma?”, dita de forma algo ressentida. Tanta coisa respondi, sem me lembrar de algo que não fosse fracturante.
A seguir ao jantar seguir-se-ia um copo. Subitamente senti-me abstémia e com uma vontade louca de regressar de táxi. À saída do carro, sob pretexto de me encontrar com uns amigos (a tal ½ verdade/mentira) foi-me dito: “que estava muito bem”, coisa que uma mulher sabe de cor quando se prepara para isso, e quando desperta a atenção na mesa ao lado.
O copo foi tomado sob um misto de surpresa /desprezo de uma mulher madura, num mundo de vaidade embora preparada para impressionar.
Hoje ao almoço, dois casais à minha frente. Um deles com umas melenas censuráveis sobre o colarinho branco, elas completamente libertas de vaidade. A atmosfera era de poucas palavras, mas havia sintonia. E eu pensei é isso: companheirismo, cumplicidade, verdade, à-vontade, paz, amizade, cama ou não tanto faz.
Estamos a reduzir a convivência a macho/fêmea, acasalamento e pouco mais.
Por mim já optei, recolhi ao convento, sem remissão.

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