"- Nenhuma dissimulação, enquanto os dois pares de olhos se devassavam mutuamente (…)", p.319, in O Sonho mais Doce, Doris Lessing.
Um romance de vida em que tal como na vida real há raríssima gente decente. Este olhar assim expresso cumpre um dos mandamentos "tratar o outro como a nós próprios", a "crucificação", é quase sempre o desfecho.
Como todos, às vezes interrogo-me sobre o que ando cá a fazer? Que marca ficará de mim? Ocorre-me que através da quase dezena de cadelas que tirei da rua, terei dado um contributo. Ao lembrar-me dos olhos de algumas, a vitória de as ter conciliado com ao humanidade. Que humanidade?
Para mim uma das coisas que mais me interessa no meu semelhante é a dignidade e a dignidade é uma construção quotidiana e permanente.
E há coisas que ainda me dão vontade de chorar, e não sei o que correria nas lágrimas? Hoje falei com alguém com quem cumpri escrupulosamente o mandamento, e sem ponta de vaidade consegui com muito trabalho recuperar uma alma, porque a dignidade estava pelas ruas da amargura. Foi uma vitória suada. Hoje só vi vaidade e superficialidade, que foram os defeitos ruinosos. E depois de tudo, concluo que o Homem não aprende. Indo-se a imaginação que doura a pílula nada resta., a não ser o asco pela vaidade que é o motor do mundo.
O resto que se foda!
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