Conduzia apressadamente pela 2.ª Circular, a meta era atingir o Centro Comercial, onde ficaram de se encontrar. Ela juntava o útil ao útil. Antes da ginástica encontrá-lo-ia por breves minutos. Ele estava entre uma viagem e outra. Ela estava no fim de uma viagem, mas queria ter a certeza absoluta que nunca mais escolheria aquele destino e sobretudo que não lhe restaria nenhuma nostalgia que derivasse em fantasia. A vida ensinou-lhe através de saber de experiência feito, que a expectativa é muito mais nociva que construtiva.
O ponto de encontro era ao pé da cascata. O tempo urgia. Engarrafamentos, acidentes, recordaram-lhe uma cena magistral de "Lost in Translation", só isso! Estacionada a viatura ainda um caminho a percorrer. Acelerou. Não era movida por nenhum sentimento, tinha consciência disso. Era movida por uma necessidade premente de se saber livre.
Chegou à cascata, não o viu. Pensou: bazou! Ligou-lhe, mas ele estava na outra cascata ao pé da escada rolante, no largo da árvore de Natal. Por entre a turba, chegou. Os minutos entretanto, tinham ficado mais escassos. Ele de costas olhava expectante para a escada. Tocou-lhe ao de leve nas costas enquanto proferia o seu nome, monossilábico. Ele voltou-se. Estava giro. Ela já calculava. Quando se regressa de férias vem-se sempre imbuído de uma certa aura. Temos tempo para um cigarro. Ele disse-lhe primeiro que ela estava muito tia, depois que estava muito gira, e depois,mais uma, duas, três vezes que estava muito gira. Ela respondeu que andava a fazer por isso. Ele ficou um pouco atónito.
A conversa foi para lá do cigarro. Ela levou-o à praça de táxis e não o viu entrar nem partir Nenhuma nostalgia. Um enorme bem-estar. Uma confiança renovada, uma energia de quem se sabe e a quem lhe sabe bem sentir-se livre, renovada, talvez também ela imbuída de uma certa aura, talvez aquela que suscitou os comentários que lhe foram indiferentes.
Sem comentários:
Enviar um comentário