Vais acabar sozinha. Disse-me mais com ar de ameaça do que premonitório. Acho que é a única coisa de que me lembro do meu ex-marido. Há tempos alguém me falava dele e eu sinceramente já nem me lembrava.
Não tenho por hábito reviver o passado, nem as coisas boas nem as más. Tudo tem um tempo, e as coisas são boas ou más conforme as vivemos. Depois vistas a outra luz, talvez já não fosse bem assim. Inexplicavelmente sou uma mulher do tipo "pr’a frente é que é caminho". O passado é emperrador.
A ameaça do ex cada vez mais me soa a bênção. Cada vez mais me mostra e me abre a porta para não contrariar a minha natureza. E a minha natureza é por mais que eu não queira uma natureza de ruptura, de solidão, e como tudo na vida, é uma questão de hábito. Muitas vezes pergunto-me como seria a minha vida se assim não fosse. E prefiro a ruptura, é pelo menos uma forma límpida de se viver, sem equívocos, porque não sendo pessimista e tendo vivido muito, ainda não se me deparou ninguém, independentemente da escala de proximidade/afectividade que mereça aquilo que defino como amizade, amor, entrega. Salvo uma raríssima excepção. Tudo isto me vai dando uma grande serenidade, sobretudo a certeza de que acima de tudo não devo contrariar a minha natureza, e sem complexos de culpa..
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