quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

domingo, 21 de dezembro de 2008

Lost in translation ou o Fim da Aventura ou simplesmente o Fim




Conduzia apressadamente pela 2.ª Circular, a meta era atingir o Centro Comercial, onde ficaram de se encontrar. Ela juntava o útil ao útil. Antes da ginástica encontrá-lo-ia por breves minutos. Ele estava entre uma viagem e outra. Ela estava no fim de uma viagem, mas queria ter a certeza absoluta que nunca mais escolheria aquele destino e sobretudo que não lhe restaria nenhuma nostalgia que derivasse em fantasia. A vida ensinou-lhe através de saber de experiência feito, que a expectativa é muito mais nociva que construtiva.
O ponto de encontro era ao pé da cascata. O tempo urgia. Engarrafamentos, acidentes, recordaram-lhe uma cena magistral de "Lost in Translation", só isso! Estacionada a viatura ainda um caminho a percorrer. Acelerou. Não era movida por nenhum sentimento, tinha consciência disso. Era movida por uma necessidade premente de se saber livre.
Chegou à cascata, não o viu. Pensou: bazou! Ligou-lhe, mas ele estava na outra cascata ao pé da escada rolante, no largo da árvore de Natal. Por entre a turba, chegou. Os minutos entretanto, tinham ficado mais escassos. Ele de costas olhava expectante para a escada. Tocou-lhe ao de leve nas costas enquanto proferia o seu nome, monossilábico. Ele voltou-se. Estava giro. Ela já calculava. Quando se regressa de férias vem-se sempre imbuído de uma certa aura. Temos tempo para um cigarro. Ele disse-lhe primeiro que ela estava muito tia, depois que estava muito gira, e depois,mais uma, duas, três vezes que estava muito gira. Ela respondeu que andava a fazer por isso. Ele ficou um pouco atónito.
A conversa foi para lá do cigarro. Ela levou-o à praça de táxis e não o viu entrar nem partir Nenhuma nostalgia. Um enorme bem-estar. Uma confiança renovada, uma energia de quem se sabe e a quem lhe sabe bem sentir-se livre, renovada, talvez também ela imbuída de uma certa aura, talvez aquela que suscitou os comentários que lhe foram indiferentes.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Guilherme Tell

Lia despreocupadamente o jornal, preparando-me para uma grande seca, no consultório médico, o que de facto não aconteceu.
De repente à minha frente alguém me tratava pelo nome próprio e por um de família, com afecto, alegria e familiaridade, como se me conhecesse de sempre e eu a ela. Fiquei divertida e surpreendida. A voz, ou melhor dizendo a maneira de falar não me era estranha, mas mais nada. Eu continuava na minha pesquisa interior e ela continuava a tratar-me com mimo, e a falar-me do tempo em que fomos colegas, do tipo de proximidade que tínhamos, dizendo-me que me punha gotas nos olhos, o que para mim hoje seria impensável que alguém o fizesse. Fui-me lembrando aos bocadinhos, mas o que me surpreende sobretudo são as boas lembranças de algumas colegas que me reconhecem. Esta, hoje disse-me que sou uma das pessoas que recorda com saudade, que eu era uma pessoa muito alegre e extrovertida. Foi uma conversa gira, sem os cuidados que hoje se põe em tudo.
Não há muito tempo, encontrei outra que me tratou da mesma forma, cheia de recordações, que tinha estado a falar de mim na véspera. E eu não me conseguia lembrar do seu nome. Outra ainda no foyer do São Jorge disse-me: "pensavas que passavas por mim e que eu não te vinha falar?", dito de uma forma cheia de simpatia. São sem dúvida óptimas surpresas. Mas são também ocasiões em que sinto saudades de mim. O riso era fácil, sem ser idiota, havia ingenuidade, crença, sei lá!
Nessa altura havia um palavrão que dizia com frequência e com certeza com piada, tal era a minha forma despreocupada de ser. Diziam-me: " já sei que gosta muito de dizer..."
Ainda guardo uma cassete com várias músicas que um colega, com quem tinha conversas de homem p’ra homem, me gravou. Na introdução, uma voz cavernosa em eco, por causa de uma brincadeira sobre Guilherme Tell, diz; “maçãzinha, maçãzinha gostosinha…”. Bons tempos!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

o factor humano

Vais acabar sozinha. Disse-me mais com ar de ameaça do que premonitório. Acho que é a única coisa de que me lembro do meu ex-marido. Há tempos alguém me falava dele e eu sinceramente já nem me lembrava.
Não tenho por hábito reviver o passado, nem as coisas boas nem as más. Tudo tem um tempo, e as coisas são boas ou más conforme as vivemos. Depois vistas a outra luz, talvez já não fosse bem assim. Inexplicavelmente sou uma mulher do tipo "pr’a frente é que é caminho". O passado é emperrador.
A ameaça do ex cada vez mais me soa a bênção. Cada vez mais me mostra e me abre a porta para não contrariar a minha natureza. E a minha natureza é por mais que eu não queira uma natureza de ruptura, de solidão, e como tudo na vida, é uma questão de hábito. Muitas vezes pergunto-me como seria a minha vida se assim não fosse. E prefiro a ruptura, é pelo menos uma forma límpida de se viver, sem equívocos, porque não sendo pessimista e tendo vivido muito, ainda não se me deparou ninguém, independentemente da escala de proximidade/afectividade que mereça aquilo que defino como amizade, amor, entrega. Salvo uma raríssima excepção. Tudo isto me vai dando uma grande serenidade, sobretudo a certeza de que acima de tudo não devo contrariar a minha natureza, e sem complexos de culpa..

domingo, 7 de dezembro de 2008

overdose

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

o lado lunar

Não se lhe pode dizer nada que fica crispado(a). Falar dá trabalho. Discutir ideias diferentes dá polémica dá trabalho, obriga a falar, a pensar, a articular, a ter cuidado com as palavras, a ter de ser politica e socialmente correcto, etc. Enfim conviver dá muito trabalho, privar com o próximo é um risco.
Antes animava-me imenso em vir aqui. Tinha e tenho os Favoritos cheios de blogs da minha eleição. Visitava-os vezes sem conta. Como não podia deixar de ser numa relação de proximidade tinha por eles amor e ódio, mas não passava sem eles, eram, são todos excelentes.
Hoje venho aqui um pouco para não perder a prática de escrever algo diferente, faço-o com alguns pruridos, pois ninguém tem nada a ver com o que penso ou sinto, e podem ser levados a pensar que me conhecem, ou tirar ilações a meu respeito. Os meus Favoritos, visito-os um pouco por obrigação, e de todos só dois ou três, pois sinto que ali ainda está um pouco da minha alma, cada vez mais minguada. Quero resistir à apatia que se está a apoderar de tudo e de todos e de mim. Quero resistir ao vácuo, à indiferença, mas sinto que caminho a passos largos para aí e de certa forma estou-me nas tintas, sobretudo se for mais confortável e parece-me que é.
Poema vernáculo ou de desamor
Também pode ser, e é uma ordinarice

Assim, sendo:

O amor é uma cobiça
Entra pelos olhos e
Sai pela piça

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

a galope

Tinha que vir aqui dizer que sou uma mulher tão surpreendente, que até a mim me surpreendo.
Tinha que dizer que às vezes sou tão nauseante que sinto náusea de mim.
Tinha que dizer que sou tão independente, que já não sei se serei introvertidamente sacana.
Tinha que dizer que sou tão anarca que me custa não poder mandar tudo à merda.
Tinha que dizer que dou tanto trabalho, que às vezes me canso de mim
mas canso-me sobretudo dos outros
...

Tinha que dizer que contra tudo e contra todos, não sou, nunca fui um dado adquirido
Tinha que dizer que compreendo que é difícil, senão impossível perceber alguém assim
Tinha que dizer que a vida sem palavrões era um constante stress
Pensá-los por dentro, sorrindo por fora

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

o prazer de ouvir

Yoga pala manhã, Jorge Palma durante o dia, Spa ao fim da tarde. Desligar o telefone às seis, porque é melhor que “after eight “.
Hoje resolvi que não partiria os "mesmos ossos", Tal como o cantor canta em Voo Nocturno.
Ouvi repetidamente este voo e Encosta-te a mim. Talvez a chave do sucesso seja a simplicidade o conforto que transmite e a confiança que inspira. É sem dúvida uma canção intemporal. Merecido êxito. Aliado ao êxito veio o Globo de Ouro. E lá estava Jorge Palma no palco pronto para receber o tão merecido prémio. Eis senão quando a estupidez de Hermano José surge e o deita ao chão, fá-lo rastejar, porque um perdedor nunca quer estar só, carrega-o às cavalitas e o resto de tão deprimente episódio, nem me lembro. Tive pena que Jorge Palma não lhe tenha desfechado um murro na queixada. Terá com certeza estragado a festa a Jorge Palma e aos que lhe são próximos. A assistência ria. Não ouvi nenhum comentário contra.
Esta impressão ficou-me na retina, e não fui a lesada.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

vanity fair

"- Nenhuma dissimulação, enquanto os dois pares de olhos se devassavam mutuamente (…)", p.319, in O Sonho mais Doce, Doris Lessing.
Um romance de vida em que tal como na vida real há raríssima gente decente. Este olhar assim expresso cumpre um dos mandamentos "tratar o outro como a nós próprios", a "crucificação", é quase sempre o desfecho.
Como todos, às vezes interrogo-me sobre o que ando cá a fazer? Que marca ficará de mim? Ocorre-me que através da quase dezena de cadelas que tirei da rua, terei dado um contributo. Ao lembrar-me dos olhos de algumas, a vitória de as ter conciliado com ao humanidade. Que humanidade?
Para mim uma das coisas que mais me interessa no meu semelhante é a dignidade e a dignidade é uma construção quotidiana e permanente.
E há coisas que ainda me dão vontade de chorar, e não sei o que correria nas lágrimas? Hoje falei com alguém com quem cumpri escrupulosamente o mandamento, e sem ponta de vaidade consegui com muito trabalho recuperar uma alma, porque a dignidade estava pelas ruas da amargura. Foi uma vitória suada. Hoje só vi vaidade e superficialidade, que foram os defeitos ruinosos. E depois de tudo, concluo que o Homem não aprende. Indo-se a imaginação que doura a pílula nada resta., a não ser o asco pela vaidade que é o motor do mundo.
O resto que se foda!

domingo, 16 de novembro de 2008

dois em um: um dia é da caça o outro do caçador

Na 5.ªfra um inesperado convite para jantar no sábado. Só no sábado por volta da hora do almoço posso confirmar se estarei disponível. Meia verdade, meia mentira. Tudo dependia de outros valores. Confirmado o jantar. À mesa de um restaurante in, em que tudo berrava, como se de uma tasca se tratasse, mostrou-me a brincar o TagHeuer que tinha colocado para me impressionar. Disse-lhe que não ligava a relógios e que não era o tipo de coisa que me impressionava. Dito talvez de uma forma que tenha deixado transparecer o tédio. Surgiu a pergunta:”então o que te entusiasma?”, dita de forma algo ressentida. Tanta coisa respondi, sem me lembrar de algo que não fosse fracturante.
A seguir ao jantar seguir-se-ia um copo. Subitamente senti-me abstémia e com uma vontade louca de regressar de táxi. À saída do carro, sob pretexto de me encontrar com uns amigos (a tal ½ verdade/mentira) foi-me dito: “que estava muito bem”, coisa que uma mulher sabe de cor quando se prepara para isso, e quando desperta a atenção na mesa ao lado.
O copo foi tomado sob um misto de surpresa /desprezo de uma mulher madura, num mundo de vaidade embora preparada para impressionar.
Hoje ao almoço, dois casais à minha frente. Um deles com umas melenas censuráveis sobre o colarinho branco, elas completamente libertas de vaidade. A atmosfera era de poucas palavras, mas havia sintonia. E eu pensei é isso: companheirismo, cumplicidade, verdade, à-vontade, paz, amizade, cama ou não tanto faz.
Estamos a reduzir a convivência a macho/fêmea, acasalamento e pouco mais.
Por mim já optei, recolhi ao convento, sem remissão.

sábado, 8 de novembro de 2008

indomável

Acho que há destino!
Acho que há livre arbítrio!
Acho que o dilema deriva dos dois.
Acho que se assim não fosse tudo seria imutável

Acho que o berço o dá
A tumba o leva

Gosto de gostos extremados
Nada me agonia mais que o meio-termo

Mais uma vez a vida me provou que, ou sou amada ou odiada.
Mas gosto!

Gosto de ser construtiva
Odeio-me quando estou destrutiva

Odeio a cobardia
Odeio a calúnia e a estupidez
Odeio a falta de imaginação e a preguiça
Odeio os Maria-vai-com-os outros
Odeio a mentira
Odeio a falta de ética
Odeio a indiferença

Odeio enganar-me

Adoro que o outro me surpreenda positivamente
Adoro cadelas, gostaria de dar colo a todas
A ambição máxima, é que nenhuma precisasse de colo.

… etc

às vezes acredito que Deus existe.

domingo, 26 de outubro de 2008

que

interessam
os pontos cardeais
quando

dois seres se

cingem
no meio de um leito?

terça-feira, 21 de outubro de 2008

blogocídio

Iniciei-me na blogosfera com um blog chamado Barata Loira, que no 1.º spot anunciava a chegada de um meteorito. Teve vida curta. Seguiram-se outros. Imperou em cada um deles um ser emocional. Talvez esta tenha sido a grande revelação. Foram muitos, sucumbiram a fúrias. Mais tarde alguns, muito poucos reapareceram, tal era o sentimento que nutria, que não podia viver sem eles, apesar da relação amor/ódio que desencadeavam. Tenho especial lembrança de Rio de Pérolas de Cor Púrpura; a sua criação estava imbuída de romantismo. Fiz amigos, um ou dois. A amizade na minha vida é uma raridade, talvez porque autentica e com elevado grau de exigência. Na totalidade terei escrito centenas de spots. Engordei à conta disso. Desmazelei o habitat. Deixei de privar. Foi com eles que perdi o hábito de me deitar cedo e me tornei noctívaga. Sorri, sofri, esperei/desesperei, iludi-me, fraquejei, rastejei, ofendi, desisti, e aprendi e muito e sobretudo coisas boas. Ilustrei-me, dei asas à imaginação, à subversão, à ousadia, etc. Se tivesse de fazer um balanço, seria sobretudo positivo.
Raramente releio o que escrevo. O actual blog, mantive-o por respeito aos spots sobre cães que publiquei, como forma de me redimir dos outros que apaguei. Lembro-me de raros títulos de spots. Não guardei nada do que escrevi.
Mas há dois spots que lamento profundamente não ter guardado: "cão ruim", dedicado a uma amantíssima cadela que persegui durante quatro anos e a quem acabei por dar teto. Não há um dia em que não me lembre dela. O outro "no name river", sinteticamente uma história de amor.
Este mantenho-o como um escape emocional. Às vezes faz-me falta.

sábado, 18 de outubro de 2008

entardecer

Entardece. As nuvens estão uma mescla de cinzento e rosa encarniçado, no verão este tom costuma ser prenúncio de bom tempo. A tarde está silenciosa como eu, meia turva, a precisar de Sol.
Um desejo de evasão apoderou-se de mim desde manhã. Desejo de um destino longínquo e incógnito, em que nada perturbasse a minha massacrada sensibilidade. Só pode ser um sítio que não exista.
Cheguei aquele ponto de equilíbrio/desequilibro, construção/desconstrução, empatia//antipatia/simpatia: indiferença em suma, a roçar a irresponsabilidade sentida e consentida.
Como tudo na vida tem duas faces. Vamos dar tempo ao tempo, esse sábio!
Se lhe déssemos ouvidos, não seriam necessárias curas.
Olhando para trás pasmo como não escrever no blog, não ler blogs eleitos me deixavam ansiosa. Hoje é numa tentativa de recuperar um pouco de alma que estou aqui, sem nostalgia, sem curiosidade em ler o que escrevi para ver se me reconheço, se me recupero. Estou a perder a capacidade de me emocionar com o que quer que seja.
Confesso que num outro blog que criei a atitude é a mesma, apesar de me ter emocionado, envaidecido por um papel de destaque que me conferiram num outro de reconhecido mérito.
Ao escrever este post não contradigo o post anterior. Nem sequer sei se voltarei, e se voltar já não sou o que fui.



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terça-feira, 5 de agosto de 2008

FIM

no âmago e na essência o FIM



http://www.youtube.com/watch?v=2P3QFDIIC4Y

sábado, 26 de julho de 2008

Não obrigado!

De férias insulares peço uma informação a um aborígene sentado num muro. Agradeço e viro costas, pronta para partir. Nisto oiço: "quer uma fôda?" Com o sotaque característico, não percebo senão à terceira. Até aí percebi folha ou coisa semelhante. "Não obrigado!" e segui caminho. Não incrédula, nem estupefacta, apenas contrariada por ter perguntado três vezes.
Uma amiga minha "enxuta", como se diz para definir a boa forma, divorciada e com dois filhos costuma dizer com graça:" eu, somos três". Talvez por isso os relacionamentos afectivos sejam difíceis. Convidada para um jantar que supôs romântico, pensando eventualmente em pequeno-almoço, ainda este não decorria e já ouvia:" quando fodemos os dois até ganir". Incrédula pelo inesperadamente reles, não perguntou como eu. Sorriu ou riu, atrapalhada e pensou como encaixar com diplomacia o que acabara de ouvir. Estar-lhe-iam a chamar cadela, supondo que o comensal se assumia como cão? Respondeu "não obrigado!" e aliviada deixou o jantar na mesa.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Ctrl Alt Delete

Há uns anos, quando fazia pesquisa para um trabalho sobre o "Cordeiro Místico" de Josefa d’Óbidos, não sei como vieram-me parar às mãos, uns estudos/desenhos do sec.XIX; eram a preto e branco, corpos de velhos nus e esquálidos, vergados, vencidos. Não sei se seriam de facto estas as imagens, mas foi o que guardei e de vez em quando lembro-me. Na altura impressionou-me, porque condenados, submissos, lembraram-me o Cordeiro de Josefa, ou qualquer outro, assim condenado.
Odeio a condenação e odeio sobretudo quando os condenados sabem que já não há nada a fazer, e ficam assim farrapos à espera.
Por uma questão de pudor, sai do quarto quando tentavam colocá-lo com alguma segurança no meio da cama, já que a tendência era resvalar para o chão, onde ficaria quase inerte o tempo que fosse necessário, até que alguém o soerguesse. Não havia ali uma réstia de dignidade e ele tinha tentado mantê-la o mais possível. Até aí a vaidade fora a sua salvação A posição era fetal, o resto de decrepitude e miséria física, inenarrável, confrangedora.
Pensei: as contas devem estar saldadas até ao último tostão.
E assim foi, mesmo até ao último tostão, não deve ter ficado nada, absolutamente nada para saldar. Tudo contabilizado! Deus ou o Supremo Arquitecto, como lhe queiram chamar, não brinca.
Deus tenha piedade de nós!

domingo, 29 de junho de 2008

so long


eu sabia que havia de acontecer

tentei perceber quando seria

e não fui capaz

hoje acidentalmente ouvi na radio

Leonard Cohen, actua a 19 de Julho no Passeio Marítimo de Algés

e eu que tanto o queria ver e cantar com ele, entre outras possivelmente o "So long Marianne", não vou poder.

nunca uma ilha esteve tão longe

so long Cohen

sábado, 28 de junho de 2008

auto elogio - ser positivo

retirar da vida o que ela nos ensina
sair da merda renovada
como se de um banho de lama se tratasse
ser negativo faz mal `a facies
assumir sem rancor que o melhor de nós fica sempre para trás

não ter medo. a vida é feita de mudança

quinta-feira, 26 de junho de 2008

miséria é desamor

independentemente dos seres
a miséria

é sempre e fruto do desamor.

Pensem nisso!

terça-feira, 24 de junho de 2008

frase da noite:

a acção gera sempre reacção

bem vistas as coisas é o contrário de:
estar morto,
de ser amorfo
de ser cínico
de viver de ideais
etc

dizia um padre inetressantissimo no domingo na RR: ele estava tão cheio de humanidade, que não se podia dedicar a ajudar uma pessoa.

Moral da história: os ideais são uma treta e um alibi

segunda-feira, 23 de junho de 2008

capicua ou lembranças de uma noite de Verão

O cabelo curto, quase à rapaz, ficava-lhe bem nesse verão, passado na Costa Vicentina. O ano, de uma das capicuas pelas que vão passando; aquela foi a capicua da sua emancipação, um marco na sua vida: antes de, e depois de ...
Já se conheciam e atracção era do tipo fatal. Mas mantinham uma distância imposta por uma série de condicionalismos a que não escapava o bom senso. Da sua parte haveria outra condicionante. Uma dança foi o suficiente para subverter o tacitamente imposto.
Há certezas que ficam. Ela sabe que ele nunca deve ter esquecido, porque única, a sensação que lhe ficou presa à pele, quando beijando-a as mãos subiram por dentro do bolero azul estampado com flores grandes mas de discreta suavidade. Olharam-se e a surpresa do sentimento foi mútua, como se estivessem num jardim celestial.
O tipo de sensação que se guarda, por muitas vidas que se vivam, mesmo gratificantes.

no âmago,

senti o poema "Mãe", de Maria do Rosário Pedreira, declamado no último disco de Aldina Duarte. Só as mulheres se identificarão com o que ali se descreve, aquela tristeza intrinseca, aquela vontade de partir.
Tocou-me pela grandeza dos sentimentos, mas também pelo sentido da inutilidade. É pena que seja tarde, demasiado tarde quando se chegua a este estado de indiferença, sobretudo porque uma pergunta pairarará sempre no nosso espirito: o melhor do amor, não será a capcidade de se inventar?

domingo, 22 de junho de 2008

bichos

só não temos medo/vergonha de dizer, quando o que sentimos é importante,

o silêncio, denúncia o que não resta ou não restou

quanto aos bichos aqui retratados, é sempre um Amor incondicional , mesmo que surdamente surja, um recíproco "fuck you" :-))))

sexta-feira, 20 de junho de 2008

triangular

Garanto que não percebo como é que numa época em que as mulheres andam mais despidas que vestidas, um decote pode ser tão destabilizador, e abrir tantos sorrisos, suscitar tanta curiosidade em ambos os sexos, tanto olhar discreto e indiscreto, criar tanta simpatia, e empatia, enfim subir o astral da sua portadora e diverti-la simultaneamente.
Há anos comprei um body em Paris, era do maior atrevimento e recurso certeiro quando o astral estava em baixo. Foi numa época em que uma colega me dizia:" quando entras a sala fica cheia", o que eu achava um abuso, mas hoje "sombra" que sou, percebo o significado das suas palavras. Há mais anos ainda quando eu era quase casta disseram-me que poderia servir de modelo para o busto da República, assim como Bardot servira para a Mariane. Um ex-cônjuge raramente engraçado encarava este facto como determinante para a manutenção do matrimónio, o que na prática não se veio felizmente a verificar. Não há muitos anos disseram-me que não percebiam a minha descrição, quando deveria ousar... Há pouco tempo disseram-me que era perfeito, lindo e agudo, e a este propósito lembrei-me dos triângulos equiláteros e também os há obtusos. Hoje lembrei-me de tudo isto ao estrear um top que aguardava pacientemente por um bronzeado que o valorizasse. Foi só pôr os pés na rua.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

cumprimo-nos

blog e eu , mescla de nervos, de sentimentos, de paixões, de indignação, de amor, de ódio, de saudade, de esperança e desesperança, de verdade, e de tudo o que me/nos caracteriza, de âmgos, cumprimo-nos rossinantes.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

sem preconceitos

talvez os preconceitos sejam uma questão de vaidade. últimamente tenho-me libertado de alguns. um convite inesperado para o rock in rio. uma luta titânica entre o desejo de ir e o preconceito. venceu o desejo. fiquei orgulhosa com o comportamento dos meus compatriotas.de Rod Stwart nem se fala: charmoso, talentoso, profissional, divertido, surpreendente; foi perguntando assim de perto: "do you think i'm sexy? tell me so!" :) sexy sem dúvida e um senhor. Uma banda a tocar magistralmente. Foi um momento feliz. Terminou com:

I am sailing, I am sailing,Home again ‘cross the seaI am sailing, stormy waters,To be near you, to be freeI am flying, I am flyingLike bird ‘cross the sky.I am flying, passing high clouds,To be with you, to be free.Can you hear me, can you hear meThrough the dark night, far awayI am dying, forever tryingTo be with you, who can sayCan you hear me, can you hear me,Through the dark night far awayI am dying, forever trying,To be with you, who can sayWe are sailing, we are sailing,Home again, ‘cross the seaWe are sailing stormy waters,To be near you, to be free.We are sailing, we are sailingHome again, ‘cross the seaWe are sailing stormy watersTo be near you, to be freeOh Lord, to be near you, to be freeOh Lord, to be near you, to be free Oh, Lord.We are sailing, we are sailingHome again, ‘cross the seaWe are sailing stormy waters,To be near you, to be free.

porque tenderemos sempre a navegar stormy waters? será vaidade ou estupidez? pergunto!

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Volver a Salamanca

Não se deve nunca voltar ao local do crime, e também não se deve voltar ao sítio onde se foi feliz. É tudo verdade, se não nos armarmos em intelectuais de meia-tigela e fizermos uma simples mas sincera avaliação dos factos. De tudo isto sobra algo de benéfico: aprender. Aprende-se sempre sobre os outros e sobre nós. E então quando se encosta a cabeça para dormir, e se é invadido por uma insónia que nos despenteia, vemos passar uma multidão sem rosto, como se de bonecos recortados em papel se tratasse, mãos dadas, corpos bojudos constituídos por antigos camarotes de teatro, mas cuja madeira nobre e ornamentos foram substituídos por plástico. E então concluímos que primeiro dói, e que depois por força das vicissitudes nos tornamos mais mestres que o mestre, e que as coisas só acontecem porque dourarmos a pílula e fazemo-lo com lucidez, não porque acreditemos, mas porque queremos acreditar, que não estamos num mundo de plástico. O que sobra? Plástico. Pouco ou muito? Depende da perspectiva, mas que é bom, é! Senão de imediato, num f.p, tão mais próximo, com a prática cada vez mais próximo, o umbigo o expoente máximo elevado ao infinito.
Boa noite!

domingo, 18 de maio de 2008

expressionismo abstracto






sem expressão

sexta-feira, 16 de maio de 2008

José Sócrates versus Monica Lewinsky

No melhor pano cai a nódoa.

José Sócrates fumou no voo Portugal/Venezuela, desconhecia este seu hábito que na minha perspectiva não abona a favor ou a desfavor da personagem. Acho interessante como se faz disto uma noticia e se vai para a rua fazer inquéritos.
Num país onde a tuberculose aumenta vertiginosamente, em que os bens necessários à dignidade humana vão estando cada vez mais fora do alcance de muitos, em que o recurso ao banco alimentar é cada vez maior, em que as desigualdades são de um país terceiro mundista, Sócrates quis ser "um igual entre iguais", cagando-se na proibição de fumar, e pedindo desculpa e até prometendo deixar de fumar, como se isso interessasse a alguém. Deveria sim pedir desculpa, por tratar o povo , como uma cambada de atrasados mentais e como se isto fosse uma aproximação possível àqueles a quem espolia diariamente sem o mínimo de pruridos.
Sr. 1.º ministro shame on you.

sábado, 10 de maio de 2008

Josef Fritzel - a besta humana

Confesso que este caso me tem perturbado. Hoje ao ler o DN, li um artigo de opinião acerca do mesmo, e li sobre o caso de a Áustria produzir aberrações de natureza repugnante. Não valerá a pena nomear.

Quanto a esta aberração, vi no outro dia o seu advogado, vítima de ameaças, indignado perante os insultos de que tem sido alvo. Indignado e admirado por tal ainda acontecer num Estado de Direito. As palavras são suas. E eu talvez ignorante admiro-me como é que alguém que defende uma anormalidade sem tamanho, um predador inqualificável, que desrespeitou todos os DIREITOS, se atreve a evocar o Estado de Direito.

Seria tempo de acabar com a hipocrisia. Há crimes que não têm perdão, não têm justificação, não têm defesa possível.

Admiro-me também que um caso destes não tenha força suficiente para conglomerar o Direito internacional, e abrir a discussão, e fórmulas novas para as cada vez mais aberrantes surpresas que nos vão desencorajando de pensar que a humanidade avança no sentido positivo. Impera a bestialidade.

Este caso talvez possa ser a resposta, para tantas crianças e jovens desaparecidos.
O mundo está cheio de loucos, e a loucura revela sempre o Homem no seu pior.

Esperemos que o passado do verme, não o desculpe, justificando todos os “traumas”. O cenário está montado e só acredita quem quiser, o pior é que é sempre o inocente quem paga.

A prisão preventiva foi alargada para um mês. Vejamos o que acontece. Não deve acontecer nada, afinal a Tailândia é o paraíso da prostituição infantil, todo o Mundo sabe, este caso até deu um empurrãozinho, para esclarecer os mais cépticos, e possivelmente terá aberto a porta a mais predadores sem que nada lhes aconteça.

E assim vai o mundo, o turismo de vento em pôpa. E os Direitos!?

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Josef Fritzl - o vómito dos vómitos

Acho que o Direito tem todo de ser revisto. Julgar uma aberração destas como violador e condená-lo como tal, a 15 anosde prisão e como homocida do filho bebé a 5 anos- de prisão é uma brincadeira e torna o legislador num voyeur sádico. Não esqueçamos que começou a violar a filha aos onze anos, estragou a vida a toda aquela gente, com danos irreversíveis que até custa pensá-los, quanto mais vivê-los e esquecê-los. A morte para um merda destes é pouco. Desencadeia um grande nojo, uma enorme sede de vingança, e desperta os piores instintos. Como é que é possível que nestes casos haja recurso a advogados de defesa?? Atolá-lo na própria merda seria muito pouco, não daria por nada.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

legendas para a vida,


"felizmente há luar", por isso nunca deixo de olhar para o céu, para a lua, seja qual fôr a fase. Existo por mim. Já é assez!


Se me pedissem para lhe dar um nome talvez fosse assim: “de perto se vai ao longe”, o mote, para umas férias ibéricas, desejadas, surpreendentes e divertidas. Em gíria de publicidade “três em um”, uma conciliação raramente bem conseguida. Felizmente a excepção ainda faz a regra. “Felizmente há luar”, palavras do escritor, Luís de Sttau Monteiro, que subscrevo, não o tornemos opaco, talvez seja a única forma de conseguirmos ser “forever yongs”.

sábado, 5 de abril de 2008

121 gr - o peso da alma

Foram vários os meus blogs: Rio de pérolas de cor púrpura, Bom bom senso e bom gosto, Ana_grama, Ana_logia, I walk alone, etc, etc. Se me perguntassem qual dos nomes escolheria de novo, responderia: todos! Todos eles foram a expressão pura de um estado de alma, do melhor e do pior que há em mim, mas sobretudo do melhor. O intuito foi o de me dar a conhecer, contrariando o que sou, reservada no que me diz respeito. Este blog, em que agora escrevo e do qual me despeço, ainda testemunha de certa forma esse intuito. Por enquanto não o apagarei, talvez o faça, no primeiro impulso de me revelar de novo, o que me parece uma improbabilidade.
Vim aqui hoje, para homenagear alguém, que o não sabe, mas que me teceu o maior elogio que alguma vez ouvi na vida: "A Senhora tem alma!". Escrevo assim por extenso "Senhora", porque foi assim que o disse, convidando-me perante alguns notáveis a escrever com ele um livro sobre os primeiros republicanos. O seu avô foi um notável Presidente da República, daqueles que ficaram legitimamente na História, por fazerem toda a diferença. Claro que lhe respondi que não, que não tenho vocação para a escrita, nem método, nem disciplina, já para não falar da falta de conhecimentos. Disse-me assim com toda a simplicidade:"Eu ajudo-a. Pense nisso!" E deixou-me todos os contactos. E eu não respondi. E sinto uma enorme ingratidão, porque quando a alma se me está a esvair lembro-me:" Nos seus olhos, vejo que a Senhora tem alma!". E penitencio-me por não lhe ter respondido: e o Senhor, talvez me tenha salvo.

terça-feira, 1 de abril de 2008

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sexta-feira, 21 de março de 2008

mon père est mort

domingo, 16 de março de 2008

O país do rising sun


Porque "nem só no/de lixo vive o homem", depois de degustar agradáveis iguarias nipónicas, seguiu-se "Seda". Não sendo um filme excepcional, recomendo pela calma que inspira, pela fotografia, pelas paisagens, pelos ambientes. Em suma, ainda com algo de novo, o que hoje em dia, vai sendo cada vez mais raro.

O país de José Sócrates e de Fátima Felgueiras é uma lixeira!



Só que eles não percebem, talvez porque:"o pior cego é o que não quer ver", talvez porque parem cá pouco!


Relativamente a Fátima Felgueiras por baixo da foto lê-se:"...foi à lixeira mostrar trabalho feito pela Resin". Fico-me pela foto. Olhe-se para Fátima Felgueiras e perceba-se o país: o império da vaidade e da piroseira. A seu lado uma cadela, que eventualmente terá parido há pouco tempo, cheira-lhe a mala, possivelmente cansada de vasculhar no lixo, para matar a fome e alimentar as crias. Fátima nem a vê, eventualmente nem o fotógrafo a terá visto, é assim a situação dos cães: transparentes neste país de sucesso, só para alguns. Amanhã teremos mais uma série deles, mais todos aqueles que nunca deveriam ter sido importados, invalidando assim leis estúpidas, feitas para não serem cumpridas, porque colocar piercings onde quer que seja, é da responsabilidade de quem o quiser fazer. E diz Sócrates que: "Este é o tempo da mudança", em
http://sic.sapo.pt/online/noticias/pais/20080315+Este+e+o+tempo+da+mudanca.htm
QUANTO A MIM ESTE PAÍS NÃO MUDOU NEM UM MILÍMETRO. Leiam-se as crónicas dos estrangeiros que por cá passaram há séculos. Não há nenhum que não refira as hordas de cães famélicos que invadiam e assaltavam tudo o que se pudesse constituir como alimento.
Num exercício de grande contenção digo, ou melhor grito: TENHAM VERGONHA! TENHAM UM MINÍMO DE HOMBRIDADE", se não for pedir muito, CARALHO!

sábado, 15 de março de 2008

Eu


Eu era e ainda sou assim:

Tempestuosa
Intempestiva
Vontade férrea
Nervos à flor da pele
Sempre que seja preciso

Corro

Contra o vento
Contra tudo
Contra todos

Não sou fácil de amar
Mas quem me ama
Ama-me toda a vida
E eu também

segunda-feira, 10 de março de 2008

aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa


aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

hhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhh


a expressão máxima da fúria, do ódio, da raiva, do desespero, um laivo de loucura às 17.20H, metida dentro do carro na Cidade Universitária. Quase uma hora para fazer um percurso de 10/15'.

Se os governantes cederem os batedores à população, talvez eles não precisem de batedores, e os indíces de divórcio, stress, depressão, absentismo, insucesso escolar, etc, desçam e quem sabe cresça a natalidade, cujos baixos indíces os preocupam tanto.

Porque nesta cidade, todas as horas são de ponta.

Alice no País das Maravilhas


Porque os graúdos também gostam de histórias e esta é uma história que já li numa idade vetusta. E guardei-a, bem guardada.

E por momentos imaginei-me a inexpriente Alice a ser interpelada pela lagarta fumadora de cachimbo, que se encavalita em cima de um cogumelo, acerca dos paradoxos deste mundo.

No filme do Walt Disney , ali está o cogumelo alucinogénico, e não é por acaso que os fumos que a lagarta inala preenchem, espectaculares as cores do arco-iris.


Nos graúdos a fantasia também pode pintar a realidade. É só uma questão de as portas se abrirem pela quimica dos cérebros, já que muitas vezes somos/fomos incapazes de as franquear pelo nosso magnetismo.

E assim vamos perdendo.
Tenham um bom sono.

domingo, 9 de março de 2008

Cavaco Silva, as suas palavras são música para os meus ouvidos


Hoje percebi a revolta dos professores. Tinha algumas dúvidas, mas hoje desfizeram-se. Um dos grandes problemas é serem avaliados por professores mais antigos, sendo neste caso a antiguidade um posto, que confere idoneidade, segundo o critério de Maria de Lurdes Rodrigues.
Ouvi a redacção/relato da vidinha modesta de Cavaco, que celebra hoje dois anos na presidência. Voz off e filme a preto e branco, já pareciam do tempo da outra senhora.
Voltando á redacção, fiquei sem palavras. Mas sofri, e pensei no tema da minha de há não sei quantos anos "o carteiro", remember? mas hoje um Presidente da República, o de hoje, não consegue fazer melhor?
Chega a casa cheio de emoções, depois de ter ouvido Simone aos berros!? Eu emociono-me, quando subo a pé a Rua Possidónio da Silva, paredes-meias com a da rua onde mora o presidente e vejo, e cheiro, e sinto não o descalabro de uma rua, mas o descalabro, a indiferença, a ignorância, etc do país.
Interrogado no Brasil acerca da "marcha da indignação", entre poucas coisas disse:"vamos ao almoço". Registo que até hoje um dos raros temas que não lhe foi tabu, foi o da não recondução de Dalila Oliveira no MNAA. Palavras para quê? As palavras de S.Exa. são música para os meus ouvidos, e Dalila está na Casa da Música.

Lasciare me cantare…

i love this Guy


é muito divertido
é muito versátil
é atrevido
é actual
sedutor
desportista
surpreendente
em suma é mesmo um sapo baril
a que ninguém se atreve a dizer ".../um feio sapo"
tudo nele é q.b.

sexta-feira, 7 de março de 2008

pontos cardeais

a norte nada de novo
a leste nada de novo
a oeste nada de novo
a sul nada de novo

o carteiro toca sempre várias vezes



Ouvi parte da entrevista de Maria de Lurdes Rodrigues a Judite de Sousa. Fiquei sem opinião perante um ser tão imperturbável, mas com as maiores suspeitas, de tão impassível e sem rugas. Suspeito sempre de gente sem rugas.
Quanto a professores a serem avaliados por professores idóneos, porque é o tempo que os faz, ao contrário da canção ".../o amor não é o tempo que o faz", percebo a apreensão dos professores. Está aí a vindicta.
Terá sido eventualmente nos primeiros anos do liceu, o tema da redacção era "O carteiro", não sei quantas linhas. Devo ter sofrido, porque nunca mais me esqueci de um tema tão "ai que bem escolhido!". Se fosse hoje, haveria vários carteiros, o de Pablo Neruda, o que toca sempre duas vezes, ou o que toca várias vezes: ser mínimo e explorado, enfiado numa pequena caixinha e sem horários; os envelopes que entrega são sempre amarelos, e há os recebidos, na caixa de entradas, e os enviados e outras modalidades que se me escapam. Agora há um facto indesmentivel: toca sempre várias vezes e com diferentes tons e os envelopes não têm selos.

quinta-feira, 6 de março de 2008

este país não é para velhos - portugal mata


"Este país não é para velhos", nem para novos, nem p’ro menino nem p’ra menina, nem p’ra cães, nem p’ra gatos, nem sequer p’ra ratos, nem p’ra ninguém.
Só p’ros políticos, que esses são cegos e surdos e falam demais, e quando falam verdade nasce-lhes um dente. E a oposição tem má pontaria, dá sempre tiros no pé. Luís Filipe Menezes é risível.
Este país não é p’ra rir, nem p’ra chorar, nem dá p’ra acreditar, é só p’ra zarpar. Está-se a afundar, salve-se quem souber nadar. "Se cá nevasse fazia-se cá sky", axim nádega-se. E estamos todos como o crocodilo que não coube na Arca de Noé (porque é um bichinho de boca grande), fô-di-dôs.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

ainda e sempre as pessoas - míopia

Míope desde a nascença ou desde tenra idade não sei! Vaidosa desde sempre. Óculos só muito tarde e raramente. O Liceu praticamente sem óculos; enorme distância para o quadro. Por opção físico-química e matemática no antigo 7.º ano do liceu. Toda a "visão" era por dedução, intuição, por milagre dirão outros, e eu também.
A par de tudo isto fui acrescentando "sentidos". A observação por impressões talvez imperceptíveis para a maioria é, foi uma arma preciosa. Um ouvido de cão, umas "antenas" de lagosta, um olfacto alarmante, uma sensibilidade sempre atenta aliada a um treino incansável, uma intuição quase infalível, foram e são hoje e desde sempre, aliados há muito tempo de lentes de contacto. Isto para dizer que o risco, é pelo gosto de correr riscos, é como correr contra o vento, é para ver se me surpreendo, sobretudo se me surpreendem, é em suma uma provocação.
Constato que muitas pessoas se sentem como devassadas pelo meu olhar, o que me tem granjeado algumas antipatias, assim como se fossem vidas já vividas. E não há nada a fazer, eu sinto o incómodo dos outros, embora tente e faça tudo, para que o meu olhar não seja incómodo, insisto mesmo para que seja neutro.
No ginásio reencontrei a pequena ladra de ténis, e quase que me senti culpada ao observá-la. Ambas sabemo-lo, sem uma palavra. Fi-lo sem rancor, com algum prurido até, porque feia, estava numa nudez despudorada: um peito grande e feio, o ventre dobrado com o peso a cair sobre um púbis pouco edificante, embora este não seja o melhor termo. Mas a "devassa", não porque estivesse despida. Hoje, sentada à minha frente alguém que vejo quotidianamente, sentiu o mesmo, talvez porque tento perceber ao que a sua voz, não a sua maneira de falar me poderá conduzir.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

ainda e sempre os cães




Talvez a grande sinistralidade das nossas estradas tenha a ver com a falta de ética; uns dizem que é o resultado da nossa falta de civismo. É tudo junto! Quando estamos por nossa conta na generalidade, somos sempre o nosso pior, e o nosso pior é uma falta de generosidade intrínseca.
Comecei por resistir, mas dou apoio pontual a um cão que não sendo de ninguém, tem de ser agradecido aos que "generosamente" o apoiam. Hoje chegaram duas ao mesmo tempo, a outra e eu. E eis o cão perante um dilema. Dirigiu-se tão ligeiro quanto a sua perna dianteira manca lhe permitiu, cheirado o repasto voltou para trás e optou pelo meu, servido condignamente, de forma asseada e em material reciclável, porque também gosto do ambiente. O repasto cumprido, a caixa no lixo. Não sobrou um grão de arroz, nem um vestigio de sujidade.
Depois constatei, revoltada a falta de respeito pelos pobres: a outra comida com ossos de galinha vazada na terra.
É por causa destas boas almas que apesar de já ter tentado pertencer a associações e quejandos, acabo sempre por desistir. Se há coisa com que não consigo pactuar, é com falta de respeito e tendo aprendido que a ética não se ensina, já desisti, mas que mete nojo, mete!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

em jeito de homenagem, com um sorriso nos lábios

porque perdi a chave, a prova provada de que não consegui fazer bem feito :)

http://apice-baptista.blogspot.com/

Mário Soares e os pitbull



Mário Soares receou que o 25 de Novembro, tornasse Portugal semelhante a um qualquer país da América Latina.
Foi num país da América Latina que vi o que se passa em Portugal, ou melhor dizendo, semelhante ao que se passa em Portugal , só na dita AL: animais errantes, cadelas perseguidas por matilhas e outras urbanidades no meio do desmazelo, da promiscuidade, sendo a promiscuidade um todo.
Foi em Cuba, mais precisamente em Havana impregnada de um cheiro fétido, onde tudo falta, desde as infra-estruturas, ao que há de mais elementar, que vi pelo menos duas raças de cães que não sendo autóctones, só podem /podiam ser importados: bulldogs e pitbull. Basta dois dedos de testa para se saber o porquê. Basta perguntar assim de chofre ao guia se as apostas são permitidas? Para ter como resposta que não, mas que o combate ás apostas com lutas de cães é difícil.
Lá como cá, a não proibição leva a uma série de abusos e ainda a procissão vai no largo. Cães não autóctones, abandonados à sua sorte, à sua má sorte, são potenciais armas de morte. Pena é que sejam eles as vitimas da incúria de um país, instrumento de um qualquer dono; pena é que em vez de serem aprisionados em canis em quarentena, e depois abatidos, não sejam os seus nefastos proprietários acusados de crime e esses sim pagarem os que lhes compete, nomeadamente com a liberdade.
Se isto é Europa, eu vou ali e já venho.



http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/2d03a4e3b4eeee4569396b.html

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

une chanson ancienne


Au clair de la lune mon ami Pierrot
Au clair de la lune, Mon ami Pierrot Prête moi ta plume Pour écrire un mot
Ma chandelle est morte Je n'ai plus de feu Ouvre-moi ta porte Pour l'amour de Dieu !
Au clair de la lune Pierrot répondit Je n'ai pas de plume, Je suis dans mon lit
Va chez la voisine Je crois qu'elle y est Car dans la cuisine On bat le briquet.
Au clair de la lune L'aimable Lubin Frappe chez la brune Ell' répond soudain
Qui frapp' de la sorte ? Il dit à son tour Ouvrez votre porte Pour le Dieu d'amour
Au clair de la lune On n'y voit qu'un peu On chercha la plume On chercha du feu
En cherchant d'la sorte Je n'sais c'qu'on trouva Mais j'sais que la porte Sur eux se ferma.

[des]arranjo musical


if i was a complicated woman

dabadabadaba...
but as i'm a descomlicated woman

dabadabadababada....

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

está a apagar-se a chama



Admito o que até há pouco tempo era inadmissível : estou a desinteressar-me da blogosfera

os homens do leme


Cavaco Silva, em Petra ria-se genuinamente, talvez por causa de uma vontade indómita, mas ferreamente dominada de montar o dromedário, temendo perder a credibilidade.
Tanto quanto me apercebi foi visitar as tropas portuguesas no Líbano e criar novas expectativas aos empresários portugueses, dando assim "novos mundos ao mundo", num espírito visionário sem paralelo que permitirá a este rectângulo `a beira mar plantado, esquivar-se às crises mundiais.
É enternecedor o espírito de abnegação e sacrifício daqueles que nos governam e que estão ao leme, independentemente da cor e do credo.
Enternece-me a recordação do desespero de Sampaio, Jorge, enquanto presidente da República, e a sua dúvida metódica, em dissolver ou não o parlamento, terminando assim com o governo então presidido por Santana Lopes, tal criança no berço a levar pancada de todos os lados, querendo por isso poupá-lo, acabando contudo por o dissolver uns escassos meses mais tarde, já tinham decorrido então os Jogos Olímpicos realizados na Grécia, de certeza num cenário a não perder em nenhuma circunstância, ... E não me falem em senso comum!
Ao ver hoje uma reportagem num canal de TV, como se fosse necessário para nos apercebermos como vive a grande maioria dos nossos concidadãos, não é de facto difícil perceber porque é que os homens do leme sempre que têm um pretexto para se pirar se piram. Lá diz o ditado "longe da vista, longe do coração", e veja-se António Guterres que na altura da retirada, disse que o país tinha problemas estruturais que era incapaz de resolver. Desde 2005 Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados. Não fosse o poiso, onde é, não sei que tipo de problemas teria?! A crise no Darfur?
E já agora Sócrates que deve estar equivocado, i.e, não deve saber que país governa, mostrando-se estupefacto com a manifestação dos profs à porta do partido Socialista, achando-a anti-democrática. Só mesmo p'ra rir!
Adeus Portugal cada vez a pior.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

vou levar-te comigo meu irmão, vou levar-te comigo

Moçambique: 9 feridos, Governo não confirma mortesOs confrontos que durante o dia de hoje se registaram em Maputo e arredores, motivados pela subida do preço dos transportes semi-colectivos de passageiros, saldaram-se em nove feridos, de acordo com o último balanço oficial.
às vezes o que parece pequenas coisas originam grandes revotas, não é o caso para quem se vê espoliado do já pouco que tem.
talvez tenhamos alguma coisa a apreender, por mais que não seja o direito à indignação.
talvez só quando a banca estiver em duas ou três mãos e o dinheiro de plástico seja só para alguns, talvez só aí nos apercebamos em que limiar estamos
e aí os 0,50€ façam a diferença.
aos moçambicanos desejo-lhes coragem, não têm nada a perder

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Uma comédia romântica


Diz o ditado "quem sai aos seus não degenera", uma das minhas funestas heranças. Não é por falta de leitores de vídeo que não vejo vídeos em casa. É por falta de jeito e também por falta de vontade.
Em tempos de arrumações, ordenam-se os vídeos, e surge a vontade, o computador ajuda é tudo tão mais prático. São vários os títulos, escolho um ao acaso, talvez por ser uma comédia romântica "Feliz Acaso". O filme começa, e parece que sob bons augúrios, baseado na obra "Amor em tempos de cólera", de Gabriel Garcia Marquez, livro que me marcou e que em si é uma das peças chave do filme. Recomendo.

domingo, 27 de janeiro de 2008

"(...) eu quero o teu chão sagrado, mas a tua vida não"

"(...) Uma tensão que João Jonas, chefe do posto administrativo de Chupanga - que em 2007 albergou um dos maiores centros de acomodação -, descreve de forma eloquente: "As pessoas gostam de viver onde se faz machamba (terra de cultivo). Depois a cabana que fizeram, a própria machamba, tudo está cercado de água".E há quem considere, como o padre espanhol Fernandez Prieto, responsável pela missão de Murraça, que o êxodo era evitável através da melhor gestão das descargas da barragem de Cahora Bassa. "Eles é que deviam pagar as casas destruídas", diz o religioso. Em Murraça desde 1967, este padre de Córdoba vai mais longe: "Há uma intenção do Governo de tirar aquela gente dali."

Vamos ver se quando os chineses estiverem nessas terras ferteis se haverá descargas, culturas arrasadas e chineses em fuga?!

Pobre povo africano

sábado, 26 de janeiro de 2008

cansada da guerra


incolor, indolor, inodoro, a



há vidas assim


cada vez mais!


o saldo positivo, é que vivendo-se assim:


uma vida "indolor",


cada vez mais o homem se aproxima do seu umbigo

e o umbigo é o centro do seu mundo

cada vez nos magoamos menos

e é muito bom viver sem dor

uma coisa linda retirada de "Eu sei, mas não devia" , em : http://wind9.blogspot.com/

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

um dia de cão


Cão de gado transmontano, é assim que chamam aos cães de Trás-os-Montes, que guardam os rebanhos e que afugentam os lobos e as suas alcateias. São lindos!
Muitos pastores já se estão a tornar criadores de cães desta raça ou com estas qualidades. São cães de grande porte. Vi uma ninhada destes meninos. Um deles foi arrancado ao calor dos manos, para ser mostrado com o ar de "cordeiro místico" que têm os cachorros, e afinal os cães no estado adulto, submetendo-se com fidelidade e abnegação a todas as arbitrariedades a que os queiram sujeitar. Mediram-lhe a cabeça e etc. Invadiu-me uma onda de tristeza, por os imaginar, numa vida de trabalho com trato suspeito. Doeu-me a alma por pensar nas cadelas a procriarem incessantemente até à exaustão em prol da ganância, porque tudo no homem deriva para a ganância, para a falta de respeito.
Há anos uma empresa maldita, Disvenda, sedeada em Odivelas e que só comercializava merdas, estava com dificuldade em vender cromos de uma aberração denominada Sandokan, até que alguém teve uma ideia brilhante: oferecer cachorros pastor alemão. Já não me lembro bem quais eram os moldes, mas lembro-me que foram muitos cachorros. Primeiro gordinhos, depois o reflexo de progenitoras fodidas até á exaustão. Algum tempo depois vi de tudo a errar pelas ruas de Odivelas, onde estava sedeada a empresa: pastores alemães raquíticos, pastores alemães com sarna, pastores alemães a cair de inacção devido á fome, uma pastora alemã com cio presa a um poste e juro a quem me lê, que isto foi há muitas décadas e que ainda hoje sinto a mesma revolta, ódio e vontade de chorar, que senti na altura.
Não há ninguém neste país ímpio, insano, inculto, que pare para pensar na consequência da gula que a todos os níveis povoa as mentes e engorda os ventres e lhe ponha um cobro?

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

... eu gostava de vos ver aqui, aqui e não aí...; perdido por cem, perdido por mil

Cavaco há dois anos na presidência, bem dormido, bebido e comido, hirto como sempre, graceja acerca da ASAE no convento de Arouca, a propósito dos doces conventuais. Todos riem da piada, inclusive a caduca Isabel Pires de Lima, com a sua patética franjinha. Não gosto dele, achei a piada "fedorenta", e sem graça.
Rodrigues Guedes de Carvalho, o "rapaz forte da SIC", segundo Pulido Valente, graceja à "fedorento", sobre o futebol. Gosto dele e rio-me.
Miguel Sousa Tavares, que acho sexy, e do qual tenho os dois livros por ler, diz perca, em vez de perda. Não achei graça.
Ontem o director da ASAE, apanhado a fumar no Casino, disse perca, em vez de perda. Não achei graça.
Talvez por isso embirre com a perca, apesar de me dizerem que os filetes são bons.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

um balanço de palavras sentidas


Se me pedissem para lhes dar um nome talvez fosse assim: "de perto se vai ao longe", o mote, para umas férias ibéricas, desejadas, surpreendentes e divertidas. Em gíria de publicidade "três em um", uma conciliação raramente bem conseguida. Felizmente a excepção ainda faz a regra. "Felizmente há luar", palavras do escritor, Luís de Sttau Monteiro, que subscrevo; não o tornemos opaco, talvez seja a única forma de conseguirmos ser "forever yongs".

principio - meio- e-fim

FatherIts not time to make a change,Just relax, take it easy.Youre still young, thats your fault,Theres so much you have to know.Find a girl, settle down,If you want you can marry.Look at me, I am old, but Im happy.I was once like you are now, and I know that its not easy,To be calm when youve found something going on.But take your time, think a lot,Why, think of everything youve got.For you will still be here tomorrow, but your dreams may not.SonHow can I try to explain, when I do he turns away again.Its always been the same, same old story.From the moment I could talk I was ordered to listen.Now theres a way and I know that I have to go away.I know I have to go.FatherIts not time to make a change,Just sit down, take it slowly.Youre still young, thats your fault,Theres so much you have to go through.Find a girl, settle down,If you want you can marry.Look at me, I am old, but Im happy.(son-- away away away, I know I have toMake this decision alone - no)SonAll the times that I cried, keeping all the things I knew inside,Its hard, but its harder to ignore it.If they were right, Id agree, but its them you know not me.Now theres a way and I know that I have to go away.I know I have to go.(father-- stay stay stay, why must you go andMake this decision alone? )

domingo, 20 de janeiro de 2008

cegueira




Uma constipação têm-me impedido nos últimos dias de levar a vida com a rotina habitual; dela faz parte apoiar Kumar. Um apoio voluntário e discreto, que me dá algum gozo, e do qual não espero reconhecimento. Sinto mesmo por parte dele algum mal disfarçado desprezo/"mépris" (que é mais sofisticado), alguma superioridade pelo facto de não ter de pedir, para ser olhado, considerado, cuidado. Dá-se mesmo ao luxo de se fazer caro. Não posso deixar de achar piada à ousadia.
Hoje quando cheguei, a reacção foi semelhante à das vezes em que a ausência é prolongada. Olhos bem abertos brilhantes, um lamber de beiços e um bater constante de cauda. Palavras para quê? È sinal de que sentiu a falta e não se vai fazer caro. Digo-lhe que aguarde, que não demoro! Reparo que a água está imunda, e afinal é um gesto tão simples mantê-la limpa.
Penso que a miséria no mundo terá muito a ver com a capacidade de não ver.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

por nenhuma razão especial


O "Céu na Terra", era a ambição de Santo Agostinho.
O nosso castigo é o inferno na terra.
Dada a minha situação de ínfima insignificância e de vida sem rastro, penso que não terei de prestar grandes contas, reconhecendo que já há um acerto nas pequenas contas. Mas grandes ou pequenas sei que é cá que as pagamos.
Nunca tive com ele uma ligação muito próxima , por várias contingências da vida. Mas se há uma coisa que aprecio nas pessoas acima de tudo é a inteligência e a capacidade de reconhecerem que erraram, e não é fácil admitir com resignação e com dignidade que o inferno é na Terra e que tudo tem de se saldar até ao último "centavo".
A doença amarrou-o a uma cadeira e colocou-o perante a mais inultrapassável dependência. Diz hoje que se soubesse que assim seria, não teria chegado ao estado em que se encontra, mas confiou no "anjo", que diz o acompanhou em várias situações da vida, mas reconhece que o anjo agora não o proteja.
Nunca há muito a conversar, porque há coisas que não precisam de ser ditas, quando a aura é a da verdade.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

singelamente escrevo, porque não sei cantar. puro prazer


Não sei se tinha 20 ou 21 anos, sei que tinha uma necessidade imperiosa de trabalhar. O antigo 7.º ano dos Liceus, eram as minhas habilitações literárias. A vida já me ensinara que as pessoas não eram fiáveis, mas o primeiro emprego foi uma escola de vida que assimilei até que a morte me devore. O primeiro ano foi uma tormenta, que me ia descabelando, não tivesse eu uma majestosa trunfa e depois um dermatologista cujo nome não mais esqueci.
O segundo ano, aquele em que passei de cordeiro a lobo, revelou uma parte de mim que não conhecia: contra tudo e contra todos, que nas lutas não há aliados. Levei alguns anos, mas venci.
O bom do mau são os anticorpos que se ganham.
No emprego como na vida, tudo tem um limite. Não sou jogadora, por nenhuma razão especial, puro desinteresse. Mas na vida sou uma extremista: ou tudo ou nada, faz parte da minha natureza, alguns chamam a isto egocêntrismo, eu chamo-lhe amor-próprio, e andar "distraída" é uma opção, mas como tudo na vida cansa, "tem dias", hoje foi dia.
P.S. aos que me lêem, não ousem pensar que me conhecem, através das palavras que aqui vou deixando. somos todos estranhos a nós mesmos.

domingo, 13 de janeiro de 2008

WILMAAAAA ou de tempos imemoriais



Talvez seja um regresso, não faço ideia, não sou por natureza uma pessoa premeditada. Admito por exemplo que alguém fora de si seja capaz de matar; por premeditação, tenho algumas reservas em aceitar, mas "i never say never".

Em tempos, tive simultaneamente vários canídeos, recolhidos da vida errante. O trabalho era imenso, a fúria também, assim como a alegria e o contentamento. Era do tipo há sempre lugar para mais um :). Os banhos eram complicados, duas delas tomavam-nos no veterinário, sempre sob o meu olhar, não fossem levar um estalo. O pânico instalava-se e o mau cheiro também, pois davam largas a uma misteriosa glândula vizinha do anûs, cujo nome não recordo e que em tempos imemoriais, era um mecanismo de defesa, já que o liquido que larga em esguicho fede mais que qualquer texugo que se preze ou doninha fedorenta.
Vem isto a propósito de Wilma e da Idade da Pedra, que tanto quanto sei eram tempos de recolecção, em que a fêmea ficava a tratar da caverna e o macho ia à caça. Chegado da caça talvez a fêmea o recompensasse, com o que brejeiramente se diz:"até os bichinhos gostam". Talvez ainda hoje o interesse de um macho por uma fêmea, esteja directamente relacionado com a comida, na prática um convite para jantar, que almoçar é muito informal. Foi do que me apercebi um dia destes num programa da TVI, em que Júlia Pinheiro falava com teenagers de ambos os sexos, em que ambos patenteavam este facto como demonstrativo do interesse por..., o tal jantar com direito a pequeno-almoço.
Talvez as roupas tenham mudado, talvez as cavernas não sejam tão inóspitas, talvez seja demasiado fácil fazer lume, FOGO!, mas talvez o ser humano continue na Idade da Pedra e não ainda na Idade Média como advogam alguns cépticos da evolução humana.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

ASAE ou AZAR ?


Agora que não se pode fumar, porque fumar mata, lembrei-me de umas caixas de fósforos que se faziam com fotografias. Embora do século passado, e apesar de o propósito subjacente ser o efémero, a verdade é que muitas delas ainda perduram. A lógica ainda não era a da sociedade de consumo desenfreada a todos os níveis, em que nada é feito para durar, quanto mais para perdurar.
Ainda há pilhas Duracel???
Penso muitas vezes se a má alimentação praticada em muitos lares portugueses, por todas as questões que só os hipócritas poderão ignorar, não matará muito mais que o tabaco? E eu nem fundamentalista sou, com os meus dois cigarros por dia, sem os quais vivo sem traumas.
E o interessante é que para as prisões se discutiu primeiro as salas de chuto e só depois as de fumo. Verdadeiramente profiláctico!
Quem acusaria Jardim de ilitracia, caso fosse do "Contenente"?

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

olhem para o céu como está estrelado


talvez um céu estrelado leve uma eternidade a construir, não sei!